Edição 04 · Tributos · Brasil, 2025

Para onde vai o imposto

De cada R$ 100 que o país produziu em 2025, R$ — viraram imposto. Aqui está o caminho desse dinheiro: quem arrecada, de onde vem e para onde vai. Sem dizer se é muito ou pouco.

Comece por aqui
Carga tributária bruta · % do PIB
—%
Para cada R$ 100 produzidos no país em 2025. A parte de cada nível de governo é do Tesouro; o que fica fora do imposto é cálculo nosso (100 menos a carga).
Arrecadação
—
arrecadados pelos três níveis de governo
Gasto
—
do gasto federal já definido em lei
Juros
—
em juros do setor público, fora do gasto do dia a dia
ANTES DE COMEÇAR

Quatro ideias que fazem o resto ficar simples

Se você nunca leu sobre orçamento público, comece aqui. Tudo o que vem depois usa estas palavras.

  • —do PIB viram imposto
  • —de despesa primária da União
  • —de resultado primário da União
Ideia 1

PIB: o tamanho da economia num ano

É a soma de tudo o que o país produz em um ano, medida em reais. A conta acima soma quem comprou o que foi produzido e tira o que veio de fora, que foi produzido em outro país.

Por isso o PIB serve de régua: dizer que algo “é tanto por cento do PIB” é dizer que fatia da produção do ano aquilo representa. Aposentadorias e benefícios não entram no G: viram consumo das famílias quando são gastos.

Fórmula pela ótica da despesa. O IBGE também mede o PIB pela produção e pela renda, e os três caminhos chegam ao mesmo total. Fonte: IBGE, Sistema de Contas Nacionais (metodologia). a conferir

Ideia 2

Carga tributária: uma divisão

Entram impostos, taxas e contribuições das três esferas. Bruta quer dizer que a conta não desconta o que o governo devolve à população em aposentadorias, benefícios e programas.

Ideia 3

Imposto, taxa e contribuição

A diferença está na resposta a uma pergunta: o que você recebe em troca, e para onde o dinheiro vai?

Impostosem troca direta

Você paga e o governo decide onde aplicar, no Orçamento. Ex.: Imposto de Renda, ICMS, IPTU.

Taxaem troca de um serviço

Cobrada por um serviço específico ou por uma fiscalização do poder público. Ex.: emissão de passaporte.

Contribuiçãocom destino marcado

O destino vem definido em lei, como a seguridade social. Ex.: contribuição ao INSS, PIS e Cofins.

Ideia 4

Despesa primária: o gasto sem os juros

Despesa primáriaPrevidência, salários, saúde, educação, obras, programasUnião, 2025: —
Juros da dívidaficam fora desta contaver capítulo 07
Receita primária−Despesa primária=Resultado primárioUnião, 2025: —

Desenho fora de escala.

É o que o governo gasta para manter serviços e pagar benefícios, sem contar os juros da dívida. É a medida usada para falar do “gasto do dia a dia”. Comparando com a receita, ela mostra se o governo fecha o ano no azul ou no vermelho antes dos juros.

Definições conforme a Constituição Federal (arts. 145 e 149, para tributos) e a metodologia do Tesouro Nacional (carga bruta e despesa primária).

A viagem de um real de imposto
  1. 1 · você pagaAo comprar, ganhar ou ter

    No preço do que compra, no salário, no lucro de uma empresa, num carro ou num imóvel.

  2. 2 · alguém recolheA loja, o patrão ou você

    Quase sempre quem entrega o dinheiro ao governo é a empresa, que já cobrou de você no preço ou no desconto do salário.

  3. 3 · entra num caixaUnião, estado ou município

    Cada tributo tem um dono. Parte do que a União recebe é repassada a estados e municípios.

  4. 4 · a lei divideO Orçamento decide

    Todo ano uma lei diz quanto vai para cada área. A maior parte já vem amarrada por outras leis e pela Constituição.

  5. 5 · vira gastoBenefício, salário, serviço

    Aposentadoria, escola, hospital, estrada. Os juros da dívida são pagos à parte, fora do gasto do dia a dia.

Não provaQue a carga ou o gasto sejam altos ou baixos. As quatro ideias só definem as medidas usadas no resto da página.

O MAPA COMPLETO

Do bolso ao gasto: o caminho de cada imposto numa só imagem

Cada tributo, o nível de governo que o arrecada, os repasses e os destinos. Em cada etapa, o tamanho da faixa é proporcional ao valor (no celular, o mapa vira três etapas empilhadas). Use o botão para ver quais tributos mudam com a reforma.

  • —do PIB viram imposto
  • —repassados a estados e municípios
  • —do gasto federal já definido em lei

Em telas estreitas, arraste o mapa para o lado.

Largura é valorCada faixa mede quanto dinheiro ela carrega, dentro de cada etapa.
Cada tributo tem donoICMS vai para os estados, ISS e IPTU para os municípios, Imposto de Renda e Previdência para a União. Depois da arrecadação, o dinheiro vai para um caixa geral: o mapa não liga um imposto a uma despesa. A exceção são as contribuições sociais, que têm destino na seguridade.
A reforma só troca os nomesA visão “Com a reforma” mostra para onde migram PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI. Não projeta valores: o quanto cada novo tributo arrecadará depende de alíquotas que o mapa não prevê.
Duas bases de dadosÀ esquerda, a carga tributária do Tesouro; à direita, o Resultado do Tesouro, que mede a conta da União. A União tem valores diferentes em cada uma, então a ligação é pela largura. O gasto de estados e municípios fica de fora, e os juros aparecem à parte.

Não provaQue um imposto pague uma despesa específica: depois de arrecadado, o dinheiro vai para um caixa geral. Nem quanto cada novo tributo vai arrecadar com a reforma.

PARADA 1 / 3

A União fica com dois de cada três reais

Arrecadar não é gastar. O imposto entra por três portas, e uma parte do que a União recebe volta para estados e municípios.

  • —cobrados pela União
  • —cobrados pelos estados
  • —cobrados pelos municípios
Quem arrecada · total de impostos

Largura da faixa proporcional ao valor arrecadado. Percentual do PIB ao lado de cada valor.

O caminho da receita federal · R$ bi

Resultado do Tesouro Nacional (dez/2025, valores correntes); base diferente da carga tributária ao lado. Uma parte da receita volta a estados e municípios por regras da Constituição.

As três portas · cada moeda vale R$ 100 bi

Pilhas de dez moedas. A última moeda de cada pilha aparece cortada na proporção do que falta. Mesma base do Tesouro do gráfico ao lado.

Quem arrecada e quem gasta · de cada R$ 100

Depois dos repasses, estados e municípios gastam fatias parecidas

Gasto direto: despesa de cada nível em 2025 sem os juros e sem o que ele repassa a outros governos, para que o mesmo real não seja contado duas vezes (cálculo nosso). Fonte: Tesouro Nacional, Estatísticas Fiscais do Governo Geral 2025 (abr/2026), estimativa sujeita a revisão. A arrecadação vem da Carga Tributária Bruta 2025.

Entenda melhor
Quem cobra o quê: os impostos de cada nível
UniãoImposto de Renda, IPI (sobre produtos industrializados), IOF (operações financeiras), imposto de importação, ITR (propriedade rural), além das contribuições como PIS, Cofins e as da Previdência.
Estados e DFICMS (circulação de mercadorias e alguns serviços), IPVA (veículos) e ITCMD (herança e doação).
MunicípiosISS (serviços), IPTU (imóveis urbanos) e ITBI (compra e venda de imóveis).

É por isso que o mesmo prato num restaurante carrega impostos de níveis diferentes: ISS do município, ICMS do estado e contribuições da União.

Fonte: Constituição Federal, arts. 153, 155 e 156.

Por que arrecadar é diferente de gastar

Há três filtros entre o dinheiro que você paga e o serviço que chega a você. Primeiro, o repasse: parte da arrecadação federal volta a estados e municípios. Segundo, a regra do gasto: a maior parte da despesa já tem destino definido em lei. Terceiro, o resultado: quando o governo gasta mais do que arrecada, a diferença vira dívida.

Por isso a pergunta “quanto o governo arrecada?” sozinha diz pouco. As perguntas úteis são qual governo, quanto fica com ele depois dos repasses e quanto disso já está comprometido.

Não provaPara onde os repasses são gastos. Eles têm destinos próprios em estados e municípios.

PARADA 2 / 3

Mais de quatro em cada dez reais saem do que você compra

O consumo é a maior fonte. A renda vem em seguida. A mesma alíquota sobre o consumo pesa mais para quem ganha menos.

  • —da renda dos 10% mais pobres vai a tributos sobre consumo (2019)
  • —da renda dos 10% mais ricos (2019)
  • —do PIB é a carga tributária bruta
De onde vem · de cada R$ 100 de imposto

Consumo e renda · peso do imposto

Tributos sobre consumo, como parte da renda

Retrato de antes da reforma: Ipea, Texto para Discussão 2823 (dez/2022), com gastos das famílias da POF 2017-2018 do IBGE.

Quem ganha menos gasta quase tudo o que ganha, então quase tudo é tributado. Um estudo anterior do Ipea (Orair e Gobetti, 2019), com outra base, chegou a — e — só com cinco tributos (IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS).

O imposto que vem no preço · exemplo

Ilustração sem valores: a parte do preço que vira tributo muda de produto para produto e de estado para estado.

Com a reforma · cinco tributos sobre consumo viram dois

A estrutura do consumo muda até 2033
2026Alíquotas de teste da CBS e do IBS
2027CBS plena; PIS e Cofins deixam de existir
2029ICMS e ISS migram gradualmente para o IBS
2033Fim da transição

Emenda Constitucional 132/2023, conforme Portal CPA (jun/2026). Quem defende mais imposto sobre consumo diz que ele é mais simples de cobrar e mais difícil de evitar. Quem defende mais sobre renda e patrimônio diz que respeita melhor a capacidade de pagar. São argumentos sobre o que é justo.

Entenda melhor
Consumo: o imposto que você paga sem ver

Quando você compra pão, abastece o carro ou paga a conta de luz, o preço já inclui tributos como ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins. Eles são chamados de impostos indiretos: quem recolhe aos cofres é a empresa, mas o custo vai embutido no preço final, que você paga.

Por isso quase todo mundo paga imposto sobre consumo, inclusive quem não declara Imposto de Renda.

Fonte: Metodologia da carga tributária (Tesouro Nacional); definição geral de imposto indireto.

Renda: o Imposto de Renda de pessoas e empresas

Incide sobre o que se ganha: salários, lucros, aluguéis, ganhos de capital. Para pessoas físicas, as alíquotas crescem com a faixa de renda (por isso é chamado de progressivo). Para empresas, incide sobre o lucro, com regimes diferentes conforme o porte.

Parte do que a União arrecada com ele é repartida com estados e municípios pelos fundos de participação.

Fonte: Constituição Federal, art. 153, III e § 2º, I; Lei 9.250/1995 (IRPF).

Contribuições sociais: dinheiro com destino marcado

São tributos criados para financiar a seguridade social, que reúne Previdência, saúde e assistência social. Entram aqui as contribuições de quem trabalha e das empresas sobre a folha, e também PIS, Cofins e CSLL.

No quadro do Tesouro, as contribuições sociais incluem a Previdência. A classificação por base tem sutilezas (em qual base entra cada contribuição), e os percentuais dos gráficos seguem a metodologia do Tesouro.

Fonte: Constituição Federal, arts. 194 a 195 e 149; Tesouro Nacional, CTB 2025 (classificação por base).

Propriedade, comércio exterior e folha

Propriedade: IPTU (imóveis urbanos, municípios), IPVA (veículos, estados), ITR (imóveis rurais, União), ITCMD (heranças e doações, estados).

Comércio exterior: o imposto de importação, cobrado quando produtos entram no país. Também pode ser usado como instrumento de política econômica para proteger ou estimular setores.

Folha de pagamento: tributos que incidem sobre o que as empresas pagam em salários. No quadro do Tesouro, a base “folha” é pequena; as contribuições da Previdência aparecem em “contribuições sociais”.

Por que “o mesmo imposto pesa diferente”

Quem ganha pouco gasta quase tudo o que ganha em consumo, e quase tudo o que gasta carrega imposto embutido. Quem ganha muito consome uma parte menor da renda e poupa ou investe o resto, onde a tributação é diferente. Por isso o imposto sobre consumo é chamado de regressivo: pesa proporcionalmente mais sobre quem tem renda menor.

O estudo mostrado acima usa o consumo das famílias de 2017 e 2018 e as regras de antes da reforma; serve como retrato daquele sistema. Quem defende mais imposto sobre consumo costuma apontar que ele é mais simples e difícil de sonegar; quem defende mais sobre renda e patrimônio aponta que ele leva em conta a capacidade de pagar. São escolhas de valores.

A reforma do consumo em palavras simples

Hoje há vários tributos sobre consumo, de níveis diferentes, com regras e alíquotas próprias, o que torna o sistema complexo. A reforma, aprovada em 2023, quer simplificar: cria a CBS (federal, no lugar de PIS e Cofins), o IBS (estados e municípios, no lugar de ICMS e ISS) e um Imposto Seletivo sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A mudança é gradual: começa com alíquotas de teste em 2026 e só termina em 2033, para dar tempo de adaptação a empresas, estados e municípios.

Fonte: Emenda Constitucional 132/2023; Portal CPA, “Começa a transição da reforma tributária do consumo” (09/06/2026).

Não provaQue um tipo de imposto seja melhor que outro, nem que o quadro de hoje seja igual ao de 2020.

PARADA 3 / 3

Mais de nove em cada dez reais já têm destino marcado

Do gasto do dia a dia da União, quase tudo vem determinado por lei antes de qualquer decisão do ano. O que sobra para escolher é a faixa amarela, a menor de todas.

  • —do gasto federal já definido em lei
  • —de BPC
  • —de abono salarial e seguro-desemprego
Despesa primária da União · R$ bi
Se fossem R$ 100

Cada parte é a fatia da despesa primária de 2025 (Tesouro); “decidido em lei” é a soma das três faixas obrigatórias.

Entre as obrigatórias e atravessando as faixas
—BPC: um salário mínimo a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda
—Abono salarial e seguro-desemprego
—do PIB em saúde, no gasto federal
—do PIB em educação, no gasto federal

As faixas acima são recortes diferentes do mesmo gasto; os valores arredondados podem não somar o total. A faixa “demais obrigatórias” soma as linhas “outras despesas obrigatórias” e “obrigatórias com controle de fluxo” do Tesouro (cálculo nosso).

Entenda melhor
Como funciona a Previdência Social

É um seguro público. Enquanto trabalha, você contribui todo mês; quando não puder mais trabalhar (por idade, doença ou invalidez) ou quando morrer, você ou sua família recebem uma renda. A empresa também contribui, e a União cobre o que falta.

Como o dinheiro circula: o sistema é de repartição. O que os trabalhadores ativos e as empresas pagam hoje financia os benefícios de quem já se aposentou. Não existe uma conta individual guardando o seu dinheiro. Por isso o equilíbrio depende de quantos contribuem em relação a quantos recebem.

Quais são os regimes: o RGPS, administrado pelo INSS, cobre quem trabalha na iniciativa privada, autônomos e trabalhadores rurais. Os RPPS cobrem servidores públicos e cada ente (União, estados, municípios) tem o seu. A previdência complementar é opcional.

Principais benefícios: aposentadoria, pensão por morte, auxílio por incapacidade (antigo auxílio-doença) e salário-maternidade.

Na faixa do gráfico: “Previdência” são os benefícios do INSS pagos pela União. Entra na conta do governo como a maior despesa isolada.

Fonte: Politize!, “O que é Previdência Social?” (publicado em 2018, atualizado em 2019; os valores citados ali estão desatualizados e não foram usados). Confira regras vigentes no INSS.

Pessoal e encargos: quem o governo paga

São os salários e encargos do funcionalismo federal: professores de universidades e institutos federais, médicos de hospitais federais, policiais federais, servidores dos três Poderes e outros. É o custo de ter gente trabalhando para entregar serviços públicos federais.

Essas são despesas obrigatórias porque a lei garante o salário de quem já foi contratado por concurso. O governo escolhe, no máximo, quantas vagas abrir e como reajustar, e isso passa pelo Congresso.

Demais obrigatórias: BPC, seguro-desemprego, abono e outras

Reúne despesas que a lei manda pagar, fora a Previdência e o pessoal. Algumas das mais conhecidas:

BPC (Benefício de Prestação Continuada): um salário mínimo por mês a idosos e a pessoas com deficiência de baixa renda. Não é Previdência: não exige contribuição prévia. É assistência social, prevista na Constituição. O critério de renda é definido em lei e vem sendo debatido, inclusive na Justiça.

Seguro-desemprego: renda temporária para quem perde o emprego sem justa causa, com regras de tempo de trabalho anterior. Ele e o abono saem do FAT.

Abono salarial (PIS/Pasep): um pagamento anual a trabalhadores formais de baixa renda. Em 2026, os critérios incluíam renda média de até dois salários mínimos e pelo menos 30 dias de trabalho no ano-base.

Também há aqui transferências a pessoas e a outros entes, além de despesas de saúde e educação. Os valores destes programas variam e mudam por lei; consulte o gov.br.

Fonte: Constituição Federal, art. 203, V (BPC); Serasa, “PIS/Pasep 2026” (07/01/2026), para os critérios do abono; Folha de Pernambuco (26/05/2021) sobre o debate do critério de renda do BPC.

Discricionárias: a parte que o governo escolhe

São as despesas discricionárias: as que o governo pode decidir quanto gastar e em quê, dentro do limite do Orçamento: obras e equipamentos (investimento), o custeio da máquina pública (energia, aluguel, limpeza, vigilância) e programas que não têm valor fixado em lei.

É a faixa mais sujeita a corte quando o governo precisa economizar, porque é a única que pode ser reduzida sem mudar lei. Por isso ela é a que mais se vê afetada nos anos de aperto fiscal.

O que prende o gasto: pisos e o arcabouço fiscal

Pisos constitucionais. A Constituição obriga a União a aplicar um valor mínimo em saúde e em educação. Parte do que aparece nessas áreas é, portanto, gasto obrigatório.

Arcabouço fiscal (LC 200/2023). Desde 2023, o gasto federal cresce, no máximo, pela inflação mais uma variação real entre — e — ao ano. Dentro dessa faixa, a variação real acompanha — do crescimento real da receita, ou — se a meta do ano anterior não tiver sido cumprida. A lei também fixa uma meta de resultado primário, com uma banda de tolerância. Ele substituiu o “teto de gastos” de 2016.

Existem exceções (por exemplo, repasses constitucionais como FPM e FPE e a complementação da União ao Fundeb), que ficam fora do limite.

Fonte: Lei Complementar 200/2023, arts. 4º e 5º; Câmara dos Deputados, Estudo Técnico nº 26/2025 sobre a LC 200/2023 (set/2025); Constituição Federal, arts. 198 e 212.

Não provaQue o gasto obrigatório seja bom ou ruim, nem que haja desperdício ou eficiência em qualquer faixa. Mostra só o que já está decidido em lei.

AS TRÊS ESFERAS

Quem faz o quê: o gasto de cada esfera

União, estados e municípios não gastam nas mesmas coisas. A Constituição divide as tarefas, e o dinheiro circula entre as esferas antes de virar serviço. As regras de gestão, como o limite de gasto com pessoal, são as mesmas para os três níveis: estão na Lei de Responsabilidade Fiscal.

  • —do PIB arrecadados pela União
  • —do PIB, pelos estados
  • —do PIB, pelos municípios
União—
da arrecadação do país
Quem decide
Congresso Nacional
Quem executa
Presidente e ministérios
Principais receitas
Imposto de Renda, Previdência, Cofins
Onde acompanhar
Portal da Transparência do governo federal
Estados—
da arrecadação do país
Quem decide
Assembleia Legislativa
Quem executa
Governador e secretarias estaduais
Principais receitas
ICMS e IPVA
Onde acompanhar
Portal da transparência de cada estado
Municípios—
da arrecadação do país
Quem decide
Câmara de Vereadores
Quem executa
Prefeito e secretarias municipais
Principais receitas
ISS, IPTU e repasses de União e estado
Onde acompanhar
Portal da transparência de cada prefeitura
Quem faz o quê · divisão geral prevista na Constituição
União
Estados
Municípios
Saúde
financia, coordena e cuida da vigilânciadivide ou apoia
serviços de maior complexidadedivide ou apoia
postos e atenção básicaresponsabilidade principal
Educação básica
financia e apoiadivide ou apoia
ensino médioresponsabilidade principal
creche, pré-escola e fundamentalresponsabilidade principal
Ensino superior
universidades e institutos federaisresponsabilidade principal
universidades estaduaisdivide ou apoia
—não atua diretamente
Segurança pública
Polícia Federal e rodoviáriadivide ou apoia
polícias civil e militar, bombeirosresponsabilidade principal
guardas municipaisdivide ou apoia
Transporte e vias
rodovias federais, ferrovias, portosresponsabilidade principal
rodovias estaduaisresponsabilidade principal
ruas e transporte urbanoresponsabilidade principal
Previdência e assistência
INSS e BPCresponsabilidade principal
previdência dos servidores estaduaisdivide ou apoia
assistência social local e previdência dos servidoresdivide ou apoia
Água, lixo e iluminação
—não atua diretamente
companhias estaduais de saneamento, em partedivide ou apoia
limpeza urbana e iluminação públicaresponsabilidade principal
Moradia e uso do solo
programas habitacionaisdivide ou apoia
programas e regularizaçãodivide ou apoia
plano diretor, licenças e uso do soloresponsabilidade principal
Defesa, moeda e diplomacia
Forças Armadas, Banco Central, relações exterioresresponsabilidade principal
—não atua diretamente
—não atua diretamente
Justiça
Justiça Federal, do Trabalho e Eleitoralresponsabilidade principal
Justiça estadualresponsabilidade principal
—não atua diretamente
responsabilidade principaldivide ou apoianão atua diretamente

A divisão é simplificada: na prática há convênios, consórcios e variações por região. Fonte: Constituição Federal, arts. 21 a 30, 144, 198 e 211.

Como o dinheiro circula entre as esferas

Os repasses constitucionais (FPE, FPM, SUS, Fundeb) mudam de valor todo ano. O que fica fixo é a regra.

Regras que limitam o gasto de cada esfera

Parâmetros legais conforme a Constituição, a Lei Complementar 141/2012 e a LRF. Confira o texto vigente antes de citar.

Entenda melhor
Saúde: como o SUS divide a conta

A Constituição criou o SUS como uma rede única, com direção própria em cada esfera. Os três entes pagam: a União repassa dinheiro a estados e municípios, e estados e municípios aplicam um mínimo da própria receita.

Em geral, o município cuida da porta de entrada (postos de saúde e equipes de saúde da família). Estados e União entram com serviços de maior complexidade, regulação e vigilância. Na prática, a divisão varia por região e por acordos entre os governos.

Fonte: Constituição Federal, arts. 196 a 198; Lei Complementar 141/2012.

Educação: de quem é cada escola

As prefeituras são responsáveis pela creche, pela pré-escola e pelo ensino fundamental. Os governos estaduais respondem pelo ensino médio. A União mantém as universidades e os institutos federais, além de financiar e apoiar os outros níveis.

O Fundeb é um fundo formado por parte dos impostos de estados e municípios, com complementação da União. O dinheiro é distribuído conforme o número de alunos matriculados, para reduzir diferenças entre redes ricas e pobres.

Fonte: Constituição Federal, arts. 211, 212 e 212-A.

Segurança pública: por que pesa mais nos estados

As polícias civil e militar e os bombeiros estão subordinados aos governadores, e por isso a maior parte do gasto com segurança pública está nos estados. A União mantém a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Os municípios podem ter guardas municipais, que protegem bens, serviços e instalações da cidade.

Fonte: Constituição Federal, art. 144.

Por que a conta fecha diferente em cada esfera

A União pode emitir títulos da dívida pública para financiar o déficit. Estados e municípios só podem se endividar dentro de limites fixados pelo Senado. Por isso, quando as contas ficam apertadas, a margem de manobra de um prefeito ou governador é bem menor que a do governo federal.

Fonte: Constituição Federal, art. 52.

Não provaQuanto cada esfera efetivamente gastou em cada área. Esse dado existe nos balanços de estados e municípios; esta página mostra as regras e os caminhos, não a execução.

FORA DO FUNIL

Os juros ficam de fora da conta, mas chegam perto da Previdência

O funil acima não inclui os juros da dívida. Eles pesam no resultado do setor público e são financiados com mais dívida. Sem os juros, a conta se chama resultado primário; com eles, resultado nominal.

  • —de juros do setor público
  • —do PIB em juros
  • —de déficit nominal do setor público
Juros frente aos maiores gastos · R$ bi
Bases diferentes: os juros são do setor público inteiro; Previdência e pessoal são só da União.
Como a conta fecha · R$ bi

A diferença é financiada com dívida. Os juros nominais equivalem a — do PIB. Fechar a conta pode ser gastando menos, arrecadando mais ou crescendo mais; cada caminho tem custos e defensores.

Entenda melhor
De onde vêm os juros: a dívida pública

Quando o governo gasta mais do que arrecada, ele toma dinheiro emprestado, vendendo títulos públicos. Quem compra recebe juros. Os investidores podem ser bancos, fundos, empresas e pessoas físicas (o Tesouro Direto é uma forma de pessoa comprar esses títulos).

A dívida acumulada gera juros todo ano, os juros nominais. Os juros pagos aumentam a dívida se o governo não gerar sobra para pagá-los. Por isso o assunto aparece tanto em debates sobre economia.

Como se fecha uma conta que não fecha

Existem três caminhos, que se combinam: gastar menos (cortar ou segurar despesas), arrecadar mais (criar tributos, aumentar alíquotas ou combater a sonegação) e crescer mais (uma economia maior arrecada mais sem mudar alíquotas).

Cada caminho tem custos e defensores. Cortar gastos pode afetar serviços; aumentar impostos pesa sobre quem paga; crescer depende de fatores que o governo só influencia em parte. Esta página mostra os números; a escolha é política.

Não provaQual caminho de ajuste é o melhor, nem quem se beneficia dos juros.

QUEM DECIDE

O Congresso decide uma fatia pequena, mas visível do gasto

As emendas parlamentares são recursos do Orçamento que deputados e senadores indicam para onde vão: uma obra, um equipamento, um serviço.

  • —de emendas obrigatórias, Orçamento 2025
  • —individuais (RP6)
  • —de bancada (RP7)
Emendas obrigatórias · Orçamento 2025

—

Os dois lados do argumento

Por que existe, por que é criticada

Quem defende diz que parlamentares conhecem as demandas locais e levam recursos onde o governo federal não chega.

Quem critica diz que o dinheiro fica pulverizado, sem planejamento nacional, e é mais difícil de rastrear.

Do pedido ao pagamento · a rota de uma emenda
  1. 1 · indicaçãoO parlamentar indica

    Escolhe o destino e o valor: uma obra, um hospital, um município.

  2. 2 · orçamento aprovadoEntra na lei do ano

    A emenda vira dotação da LOA. É aqui que estão os — do gráfico acima.

  3. 3 · empenhoO governo reserva

    O dinheiro fica separado para aquele fim. Ainda não saiu.

  4. 4 · liquidaçãoConfere a entrega

    Verifica se a obra, o bem ou o serviço foi entregue.

  5. 5 · pagamentoO dinheiro sai

    Só nesta etapa a emenda vira gasto pago. Parte do previsto fica pelo caminho ou passa para o ano seguinte.

Entenda melhor
Como nasce o Orçamento

As três leis do Orçamento, PPA, LDO e LOA, seguem o mesmo caminho: o Executivo propõe, o Congresso discute, altera e aprova, e o presidente sanciona (ou veta partes). Depois, o governo executa o que foi autorizado, e órgãos de controle fiscalizam. As emendas parlamentares entram na fase em que o Congresso altera a proposta.

Fonte: Constituição Federal, art. 165.

Autorizado não é o mesmo que pago

O Orçamento autoriza gastos; a execução depende de o governo empenhar, liquidar e pagar cada despesa. Em um mesmo ano, o valor previsto e o valor efetivamente pago podem ser diferentes, e parte dos pagamentos só ocorre em anos seguintes (os chamados restos a pagar).

Por isso os números desta página são sempre rotulados: “previsto no Orçamento” é diferente de “pago”. Para o que foi pago, consulte o Portal da Transparência.

Não provaQue as emendas sejam boas ou ruins, nem o total das emendas não obrigatórias. Os valores são os previstos na lei orçamentária, não o que foi efetivamente pago.

DÚVIDAS

Perguntas que todo mundo faz

Respostas curtas, em linguagem comum, sem tomar partido.

Eu pago imposto mesmo sem declarar Imposto de Renda?

Sim. Os tributos sobre consumo já estão embutidos nos preços do que você compra. Quem não declara Imposto de Renda continua pagando ICMS, ISS, PIS, Cofins e outros a cada compra, mesmo sem ver isso na nota.

O dinheiro que eu pago à Previdência fica guardado para mim?

Não. O sistema funciona por repartição: o que trabalhadores e empresas pagam hoje financia os benefícios de quem já se aposentou, e o que você pagar financiará os benefícios de gerações seguintes. O direito ao benefício vem de cumprir as regras de contribuição, idade e tempo.

Quem decide quanto de imposto se cobra?

A lei. Tributos federais são criados ou alterados por lei aprovada pelo Congresso, os estaduais por assembleias legislativas e os municipais por câmaras de vereadores. O Executivo propõe e executa, mas não pode criar imposto por conta própria (há exceções limitadas para alguns tributos, como o de importação e o IOF, cujas alíquotas podem ser ajustadas pelo governo dentro de limites legais).

Por que o governo não corta logo os gastos obrigatórios?

Porque eles são obrigatórios por lei ou pela Constituição. Mudar o valor de um benefício, o piso de uma área ou a regra de reajuste exige aprovação do Congresso, às vezes por emenda constitucional. Há quem defenda mudanças para ter mais flexibilidade e quem defenda manter as garantias; o debate é sobre prioridades.

O que acontece quando o governo gasta mais do que arrecada?

Há déficit, e a diferença é financiada com dívida: o Tesouro vende títulos públicos e passa a dever mais. Essa dívida gera juros nos anos seguintes.

Por que o total do Orçamento é maior que o gasto do dia a dia?

Porque o Orçamento também inclui operações financeiras, como a rolagem da dívida (pagar títulos que vencem com novos títulos). Esse valor aparece nas contas, mas não é gasto com serviços ou benefícios. Por isso se usa a despesa primária para falar do gasto do dia a dia.

Até a própria Câmara mostra dois totais para o Orçamento de 2025: — e —. A diferença, —, é o investimento das empresas estatais, que entra só no primeiro (cálculo nosso). As emendas desta página são comparadas com a despesa primária líquida, que não depende de nenhum dos dois.

Fonte: Câmara dos Deputados, Raio-X do Orçamento 2025 pós-vetos (abr/2025).

Como vejo o que minha cidade recebe da União?

O Portal da Transparência do governo federal permite consultar transferências para estados e municípios, e o Tesouro Transparente publica os repasses dos fundos de participação. Os próprios municípios também publicam sua execução orçamentária em portais de transparência.

Os números desta página valem para o meu estado ou minha cidade?

Não diretamente. A parte “para onde vai” cobre só o gasto da União. A carga tributária e a divisão de arrecadação e gasto por nível de governo cobrem o país todo, somando todos os estados e todos os municípios. Para um estado ou uma cidade, os dados ficam nos portais de transparência de cada um e no Siconfi, do Tesouro.

DICIONÁRIO

Palavras do orçamento, traduzidas

Termos que aparecem nesta página e em qualquer notícia sobre o assunto. Os mesmos verbetes estão no dicionário do site, que reúne todos os temas.

Abrir os verbetes e buscar um termo
FICHA DE CADA TRIBUTO

O que cada imposto é, quanto arrecadou e o que muda na reforma

Os mesmos tributos do mapa, em lista.

Abrir a ficha de cada tributo, em tabela
TributoQuem arrecadaR$ bi% do PIBNa reformaO que é

Fonte: Tesouro Nacional, Boletim da Carga Tributária Bruta 2025 (dados preliminares), Tabelas 2 e 3. Linhas “demais” são cálculo nosso (total do nível menos os tributos listados). O Boletim traz rótulos inconsistentes para Previdência (RGPS e RPPS) entre as tabelas; confira o original antes de citar esses valores. “Na reforma” segue a Emenda Constitucional 132/2023, conforme Portal CPA (09/06/2026).

PARA CONFERIR

Você pode acompanhar tudo isso por conta própria

MÉTODO

Cada número mostra de onde veio e o que não prova

Fonte e data na telaTodo número tem instituição, ano e data de divulgação. Quando é cálculo nosso, está escrito.
Diz o que não provaNúmeros descrevem; não decidem o que é justo. Cada capítulo termina com o limite do que foi mostrado.
Argumentos sem partidoQuando há dois lados, aparecem os dois, descritos como argumentos e sem atribuir a legendas.
A tabela de todos os números da página, com fonte e o que cada um não prova
NúmeroValorUnidadeFonteNão prova

Os dados de 2025 são preliminares e podem ser revisados.

Baixe os dados desta página
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Cada gráfico sai de um destes arquivos, com fonte e “não prova” em cada linha. Todos os temas estão em Dados abertos.